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sábado, 3 de setembro de 2016

A influência árabe na língua portuguesa

Árabes

A influência árabe pode ser datada do século VIII, quando os árabes atravessaram as Colunas de Hércules e precipitaram-se sobre o solo peninsular. Este, por causa da sua situação geográfica privilegiada, estava destinado a ser o primeiro ponto europeu atingido pela invasão muçulmana. 

Na luta entre os visigodos e os mouros, venceram os mouros, tornando-se senhores absolutos do grande reino visigótico. Apesar de a raça, a língua, a religião e os costumes extremarem vencidos e vencedores, muitos hispano-godos adotaram os costumes e a língua árabe, o que deu origem aos moçárabes.

A civilização árabe era incomparavelmente superior à da Península. Ismael de Lima Coutinho relata bem essa superioridade:
Os califas  protegiam as artes e as letras. A ciência estava muito difundida entre eles. A medicina, a filosofia, a matemática, a história, contavam com grandes cultores. Foram dois cientistas árabes, Avicena e Averróis, que vulgarizaram a doutrina de Aristóteles na Europa, traduzindo-lhes as obras e comentando-as. Em seus palácios, os califas organizavam valiosas bibliotecas.
Além disso, durante o domínio, cresceram a agricultura, o comércio e a indústria. Logo, o luxo dominou a alta sociedade, seguindo, depois, para outras camadas sociais. O árabe foi adotado como língua oficial, embora o povo subjugado continuasse a falar o latim vulgar. Assim, a influência árabe exerceu-se, quase exclusivamente, no domínio vocabular. 

Muitos nomes ligados a plantas, instrumentos, ofícios e medidas, que fazem parte do nosso vocabulário, são de origem árabe. Certas palavras são fáceis de identificar por causa da presença do artigo invariável árabe al. Veja alguns exemplos:
  • Algodão, alecrim, alface, alfafa, alfazema, alcachofra, alaúde, alicate, algema, alqueire, alfaiate, almoxarife, aldeia, álcool, alcunha etc.
Há também exemplos de palavras que não começam com al. Observe:
  • Adufe, armazém, azar, azulejo, baldio, cifra, enxaqueca, forro, javali, mesquinho,  tambor,  xarope etc. 

Além disso, sobrenomes como Alcântara e Almeida também são de origem árabe.


COUTINHO, Ismael de Lima. Gramática Histórica. Rio de Janeiro: Ao livro técnico, 1976. p. 54,192,193.






sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A expansão da língua portuguesa na África



O texto de Serafim da Silva Neto explica, de forma clara, como ocorreu a expansão da língua portuguesa na África:

Os portugueses foram os primeiros a frequentar as costas da África e a entrar em contato com as tribos negras. Em 1441, Nuno Tristão chegou ao cabo Branco. Daí prosseguiu para o sul, até alcançar a Senegâmbia, onde pôs os pés em 1445. Nesse mesmo ano, Dinis Dias explorou a costa africana até o cabo Verde. Em 1460, Diogo Gomes e Antônio da Noli aportaram à ilha de Santiago, no arquipélago de Cabo Verde; e logo em 1470 foram descobertas as ilhas de Ano-Bom, São Tomé e Príncipe. Doze anos depois, Diogo de Azambuja fundou a importante praça de São Jorge da Mina, à cuja roda se formou logo uma povoação. Em 1484, Diogo Cão descobriu o rio Zaire e o reino do Congo. Em 1488, João Afonso de Aveiro revelou as terras de Benim, e, no mesmo ano, Bartolomeu Dias coroa mais de meio século de esforços, com o dobrar do cabo das Tormentas a que D. João II pôs o nome de Cabo da Boa Esperança. Por toda a corte logo se foram estabelecendo povoações, para as quais acorriam homens de todas as partes de Portugal. Uns, para a divina colheita das almas, outros, tangidos pela sede da aventura ou das riquezas materiais. Nada mais natural, portanto, que a língua portuguesa se fosse difundindo entre as populações negras, da extensa faixa litorânea, tanto mais quanto os missionários a iam ensinando nas escolas. Já em 1504, informa Damião de Góis, D. Manuel mandava para o Congo mestres de ler e escrever. 

NETO, Serafim da Silva. História da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1970. p. 430.

domingo, 3 de janeiro de 2016

A expansão da língua portuguesa no Brasil


Para entender a estrutura da língua portuguesa no Brasil, é preciso observar certos detalhes. O primeiro consiste na base demográfica, que compreende a colonização portuguesa, os povos que abandonaram a língua materna para falar o português e os emigrantes, que passaram a fazer uso do português em seu convívio social. O segundo detalhe a ser observado tem a ver com a base social, pois, por meio do contato entre as forças demográficas e da organização da sociedade, a língua pôde expandir-se. O terceiro detalhe que nos chama atenção em relação à expansão da língua portuguesa no Brasil refere-se à base literária, ou seja, o português literário, trazido e disseminado pelos Jesuítas, foi notável para a instrução colonial. 
A partir desses detalhes, a base linguística do português no Brasil começou a ser estabelecida. Se voltarmos à colonização do Brasil, por volta de 1532, percebemos que os portugueses, para melhor penetrarem nas terras brasileiras, tiveram de manter contato com os nativos. Ainda na primeira metade do século, negros provenientes da África foram trazidos para trabalharem na agricultura, tarefa com a qual o índio não foi capaz de adaptar-se. Nessa sociedade mista, houve interação entre portugueses, índios e negros. Surgiu, então, o crioulo ou semicrioulo, isto é, a adaptação do português usado pelos mestiços (indivíduos resultantes da união entre portugueses e índios, também conhecidos como mamelucos), nativos e negros.
De acordo com Serafim da Silva Neto, "a rigorosa observação dos nossos falares rurais, aliada ao estudo comparado das adaptações do português feitas na África e na Ásia, levar-nos-ia à aceitação de um estado linguístico paralelo no Brasil-Colônia". Esse realmente é um caso a se pensar quando observamos os diversos falares existentes em nossas regiões do país.
No século XIX, a língua portuguesa eleva-se e é caracterizada como a língua da administração política, pública e jurídica. Assim, o português falado no Brasil passa a comunicar-se com o português falado no restante do mundo.