domingo, 29 de maio de 2016

A presença constante da catacrese em nosso dia a dia

A asa da xícara é branca.

Catacrese é uma figura de linguagem usada para suprir a falta de uma palavra específica no vocabulário corrente. Por esse motivo, a catacrese pode ser considerada uma "metáfora desgastada ou viciada", ou seja, devido ao seu uso constante, não possui mais o valor estilístico. Sua formação deriva da semelhança entre alguma forma existente entre os seres ou do empréstimo de outra palavra.

São exemplos de catacrese:
Pé de meia
Braço de rio
Cabelo de milho
Barriga da perna
Cabeça do alfinete
Céu da boca
Coração da cidade
Pernas da cadeira
Costas do sofá
Dente de alho
E outros.

Além desses exemplos, há outros relacionados ao empréstimos de palavras para uso geral, como: embarcar no avião (embarcar vem de barco, hoje é usado para outros meios de transporte), encaixar as peças (encaixar vem de caixa, hoje é usado para outros objetos), espalhar sal (espalhar vem de palha, hoje é usado para outras finalidades), enterrar as mágoas (enterrar vem de terra, hoje abrange outros contextos).


Sinestesia e as sensações humanas

O silêncio fresco desfolha as árvores.

Sinestesia é uma figura de linguagem que diz respeito à associação de sensações que pertencem a registros sensoriais diferentes. Para identificarmos a sinestesia, precisamos perceber se existe algum envolvimento entre uma expressão e as sensações humanas (visão, tato, paladar, audição e olfato).

Vejamos os exemplos:
O seu perfume adocicado é forte demais. (percepção pelo olfato e pelo paladar)
A voz suave do cantor nos traz paz. (percepção pela audição e pelo tato)
Logotipos de restaurantes costumam ter cores quentes. (percepção pela visão e pelo tato)