domingo, 26 de junho de 2016

Subir para cima é um pleonasmo?


A resposta é: certamente! Assim como subir para cima, há uma variedade de pleonasmos viciosos presentes em nosso cotidiano, como: entrar para dentro, ver com os próprios olhos, sair para fora, não sei não etc.
O pleonasmo nada mais é do que o uso de informações redundantes para reforçar uma ideia.
Em algumas construções, o uso do pleonasmo está ligado a algum pronome. Veja:

Quanto às minhas tias, todas elas me presenteavam. 
A alma, essa voou...
Busque as minhas encomendas e deixe-as sobre a mesa.
Ninguém não veio.

Sintaticamente, há também a ocorrência do objeto direto ou indireto pleonástico, que diz respeito à retomada do objeto por um pronome pessoal. Nesse caso, a intenção é dar ênfase a esse objeto:

Os homens, eu os vi no futebol.
Aos alunos, já lhes enviei o material por e-mail.


Na modalidade oral, o pleonasmo é muito comum. Já como recurso retórico ou estilístico, serve para produzir efeitos de impacto.



sábado, 25 de junho de 2016

Assonância, o efeito sonoro das vogais


Assonância, de acordo com José Carlos Azeredo, é a "repetição sistemática de uma determinada vogal tônica na sequência do enunciado".
Observe o seguinte exemplo:

"És tal e qual a nau quando ao mar alto larga." (AZEREDO, 2010, p. 508)

No verso acima, a repetição da vogal "a" faz referência ao verdadeiro sentido do texto, com harmonias imitativas do barulho do próprio mar aberto ao qual a caravela se lança.
Há exemplos de assonância em que o uso das vogais sugere o som de vento, de barulhos de locomotivas etc.
A assonância tem grande importância na construção estética de um enunciado.

Habitar a ou habitar na?



Ao construir uma frase em que o verbo habitar apareça, surge a seguinte dúvida: Devo ou não utilizar a preposição em sua construção?
Segundo o dicionário Michaelis, o verbo habitar pode ser transitivo direto ou indireto. Dessa forma, o uso da preposição torna-se facultativo, ou seja, pode-se tanto falar que habita a casa como habita na casa. 
Também podem ser construídas, com ou sem preposição, as frases que acompanham pronome relativo: 
Ex.: O bairro que habitamos ou o bairro em que habitamos.
No sentido de coabitar (habitar um lugar em comum), é intransitivo:
Ex.: Eu habito aqui, com meus pais.



domingo, 29 de maio de 2016

A presença constante da catacrese em nosso dia a dia

A asa da xícara é branca.

Catacrese é uma figura de linguagem usada para suprir a falta de uma palavra específica no vocabulário corrente. Por esse motivo, a catacrese pode ser considerada uma "metáfora desgastada ou viciada", ou seja, devido ao seu uso constante, não possui mais o valor estilístico. Sua formação deriva da semelhança entre alguma forma existente entre os seres ou do empréstimo de outra palavra.

São exemplos de catacrese:
Pé de meia
Braço de rio
Cabelo de milho
Barriga da perna
Cabeça do alfinete
Céu da boca
Coração da cidade
Pernas da cadeira
Costas do sofá
Dente de alho
E outros.

Além desses exemplos, há outros relacionados ao empréstimos de palavras para uso geral, como: embarcar no avião (embarcar vem de barco, hoje é usado para outros meios de transporte), encaixar as peças (encaixar vem de caixa, hoje é usado para outros objetos), espalhar sal (espalhar vem de palha, hoje é usado para outras finalidades), enterrar as mágoas (enterrar vem de terra, hoje abrange outros contextos).


Sinestesia e as sensações humanas

O silêncio fresco desfolha as árvores.

Sinestesia é uma figura de linguagem que diz respeito à associação de sensações que pertencem a registros sensoriais diferentes. Para identificarmos a sinestesia, precisamos perceber se existe algum envolvimento entre uma expressão e as sensações humanas (visão, tato, paladar, audição e olfato).

Vejamos os exemplos:
O seu perfume adocicado é forte demais. (percepção pelo olfato e pelo paladar)
A voz suave do cantor nos traz paz. (percepção pela audição e pelo tato)
Logotipos de restaurantes costumam ter cores quentes. (percepção pela visão e pelo tato)






sábado, 2 de abril de 2016

Como utilizar o prefixo "micro"

Já estudamos anteriormente os prefixos "auto" e "co".
Agora, estudaremos as particularidades do prefixo "micro", conforme as regras do Novo Acordo Ortográfico.
Quanto à utilização do hífen no prefixo "micro", sua regra se estabelece da seguinte maneira:

a) Diante de palavra iniciada por h:
Ex.: micro-heterogênico, micro-historiador. 

b) Diante de palavra iniciada pela vogal o:
Ex.: micro-ondas, micro-ondulação.

Se a palavra seguinte começar com qualquer outra letra diferente de o ou h, o hífen não será utilizado.
Ex.: microacústico, microcefalia, microeconômico.

Em palavras iniciadas por r ou s, essas duas letras serão dobradas:
Ex.: microrregião, microssociologia.

Micro-ondas



sexta-feira, 1 de abril de 2016

Às custas de ou à custa de?

Essa é uma locução prepositiva que causa muitas dúvidas.
Quando empregada no sentido de dependência financeira, o correto é "à custa de", e não "às custas de".
"A custa de" significa: graças a, por causa da influência de, por meio do esforço de, com o sacrifício de etc. 

Ex.: Ela não trabalha; logo, vive à custa do marido.


Já a palavra "custas", no plural, só deve ser empregada quando se referir a despesas de um processo judicial.

Ex.: Paulo foi condenado às custas do processo.